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Embora Sergei Korolev tenha projetado as naves Soyuz (Soyuz, em russo, significa "união") que sucederam as Vostok e Voskhod, o fato é que ele não viveu para ver o primeiro teste. Faleceu em janeiro de 1966 e o primeiro vôo tripulado foi em 23 de abril de 1967, com a morte trágica de Vladimir Komarov a bordo da Soyuz 1.
Uma nave Soyuz é composta, de modo geral, por:
| um módulo orbital, um módulo de pouso em forma de sino e um módulo de instrumentos, |
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montados da seguinte forma:
As Soyuz, em quase 40 anos de carreira, foram as naves espaciais que mais evoluíram. Os protótipos iniciais foram desenvolvidos com alguns exemplares da série Kosmos.
As naves Soyuz têm o mais extenso currículo entre todas as naves espaciais, pois nas centenas de missões efetuadas, realizaram acoplamentos com praticamente todos os tipos de objetos espaciais: satélites Kosmos, outras naves Soyuz, uma nave Apollo, diversas estações espaciais da série Salyut, e as estações Mir e ISS. Carregaram astronautas de diversas nacionalidades, inclusive de países ocidentais como Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos.
Por motivos de praticidade, considerando os mais de 200 vôos já realizados com este tipo de nave espacial (incluindo nesta estatística os cargueiros Progress), dividimos este artigo em diversas partes, uma relativa a cada modelo. Nos diagramas estão representadas as diversas versões das naves Soyuz.
- Progress-M [ diagrama ]
- Progress-M1 [ diagrama ]
Ao contrário das outras naves, que tiveram uma vida curta e praticamente nenhuma evolução, as naves Soyuz estão em operação desde 1967, e sofreram muitas transformações. Novas tecnologias foram incorporadas e novas missões foram dadas às Soyuz: desde o fracassado programa lunar soviético até os vôos até as estações Salyut, Mir e ISS.
Também foi desenvolvido, a partir do projeto original da Soyuz, o cargueiro automático Progress, capaz de reabastecer uma estação espacial com água, oxigênio e combustível sem interferência humana, e ainda fornecer energia elétrica e impulsão à estação, além de levar experimentos científicos e suprimentos para os astronautas (roupas, trajes espaciais, presentes da família e alimentos - uma das cargas alimentares preferidas dos russos nos tempos da Mir eram chocolate, cebola e alho...)
O Modelo Soyuz Original
O primeiro vôo tripulado de uma Soyuz foi em 23 de abril de 1967, com a morte trágica de Vladimir Komarov a bordo da Soyuz 1.
A Soyuz 2 foi um alvo passivo, não tripulado, para um acoplamento com a Soyuz 3, tripulada, que acabou não ocorrendo.
As Soyuz 4 e Soyuz 5 conseguiram, finalmente, realizar um acoplamento bem sucedido, com transferência de um astronauta, em janeiro de 1969.
As Soyuz 6, 7 e 8 realizaram o primeiro vôo conjunto de 3 naves, com um "encontro espacial", em outubro de 1969 (poucos mese após a alunissagem da nave americana Apollo 11).
A Soyuz 9 estabeleceu o primeiro recorde de permanência no espaço por mais de 2 semanas (18 dias).
A Soyuz 10 tentou, sem sucesso, realizar o acoplamento com a recém-lançada estação espacial Salyut 1.
A Soyuz 11, lançada em 6 de junho de 1971 e tripulada por Giorgi Dobrovolski, Vladislav Volkov e Victor Patsayev, conseguiu acoplar-se com a Salyut 1, e a tripulação permaneceu a bordo por 22 dias. Infelizmente, porém, os três astronautas morreram no retorno, vítimas de uma embolia pulmonar devido a problemas em uma válvula de equalização de pressão. Este acidente ocasionou um atraso de 2 anos no Projeto Soyuz.
A Soyuz 12 foi lançada em 27 de setembro de 1973, com o objetivo de testar as alterações de projeto.
A Soyuz 13 também teve por objetivo o teste dos novos sistemas.
As Soyuz 14 e 15 se dirigiram à estação espacial militar Salyut 3.
A Soyuz 16 testou os sistemas que seriam usados na Soyuz 19 (ASTP).
As Soyuz 17 e 18B transportaram astronautas para a estação espacial Salyut 4. A Soyuz 18A enfrentou problemas no lançamento, mas seus astronautas foram recuperados com saúde.
A Soyuz 19, lançada em 15 de julho de 1975 e tripulada por Alexey Leonov e Valeriy Kubasov, realizou uma missão conjunta com a nave americana Apollo ASTP.
A Soyuz 20 foi um vôo não tripulado, visando testar alterações no projeto.
As Soyuz 21, 23 e 24 transportaram astronautas para a estação espacial militar Salyut 5.
A Soyuz 22 realizou uma missão militar, destinada a testar uma câmara multiespectral Zeiss MKF-6, de 204 quilos, construída na Alemanha Oriental, que substituía o mecanismo de acoplamento. Esta mesma câmara foi posteriormente utilizada na estação Salyut 6.
As naves Soyuz 25 a 40 foram utilizadas para o transporte de astronautas para a estação Salyut 6.
O Modelo Soyuz-T
A nave Soyuz-T era uma versão bastante modificada em relação à sua predecessora, a Soyuz original.
O módulo de pouso, pesando cerca de 3.000 quilos, foi aumentado, comportando agora 3 astronautas vestindo seus trajes pressurizados. O módulo orbital, pesando 1.100 quilos, sofreu poucas alterações. O módulo de instrumentos, com um peso de 2.750 quilos, contava agora com um novo com um novo computador responsável pelo acoplamento e pela reentrada, o "Argon", e também com um sistema de propulsão melhorado, que permitia a transferência de combustível entre o motor principal e os controladores de atitude. Os painéis voltaram a fazer parte da nave (haviam sido retirados), resultando numa envergadura de 10,6 metros.
O peso médio da nova Soyuz-T era de 6.850 quilos.
As Soyuz-T 2 a 4 foram utilizadas no transporte de astronautas soviéticos para a estação Salyut 6.
As naves Soyuz-T 5 a 14, sem alterações significativas em relação às anteriores da mesma série, foram utilizadas no transporte de astronautas soviéticos (e seus convidados de outros países, dentro do Programa InterKosmos) para a estação Salyut 7. A tripulação da Soyuz-T 5 quebrou novo recorde de permanência no espaço, com 211 dias. A Soyuz-T 8 não conseguiu acoplar com a Salyut.
O lançamento da Soyuz-T 10A foi abortado, após um princípio de incêndio na base do foguete SL-4. A cápsula efetuou uma decolagem de segurança utilizando, pela primeira vez em condições reais, seu sistema de escape de emergência. A tripulação foi salva sem maiores problemas. Novo recorde de permanência foi estabelecido pela tripulação da Soyuz-T 10B, com um total de 237 dias.
A Soyuz-T 15 realizou uma viagem épica, pois sua missão consistiu em desativar a estação Salyut 7 e ativar a nova estação espacial Mir (ou, mais precisamente, o seu núcleo - "Core module").
O Modelo Soyuz-TM
A nave Soyuz-TM foi adaptada da Soyuz-T, para uso com a estação Mir. Externamente, houve poucas alterações em relação à Soyuz-T. Internamente, foram realizadas melhorias no sistema de geração de energia elétrica e nos controles dos retro-foguetes do módulo de pouso. A TM podia levar 100 quilos de carga a mais, e podia decolar com 200 quilos a mais, graças a melhorias no foguete lançador, o SL-4. O peso total da nave beirava os 7.000 quilos.
As naves Soyuz-TM 2 a 29 foram utilizadas para o transporte de astronautas soviéticos e de outros países para a estação modular Mir, que pode ser considerada como a iniciativa espacial de caráter científico mais importante do século XX, em função dos resultados alcançados.
Foram quebrados todos os recordes de permanência no espaço, por diversas vezes.
O Modelo Soyuz-TMA
A nave Soyuz-TMA foi uma nova evolução dos modelos anteriores, para uso com a estação ISS.
Depois do acidente com o transportador espacial Columbia, em 01 de fevereiro de 2003, a nave Soyuz-TMA passou a ser o único veículo de transporte disponível para levar e trazer astronautas para a ISS, tal como acontecia nas décadas de 70 e 80, com as estações da série Salyut ou nos primeiros anos da Mir.
O Projeto Básico das Naves Soyuz
Apesar da evolução da nave, o projeto básico permaneceu o mesmo desde o início. Assim, as fotos mostradas abaixo servem para se ter uma boa idéia de alguns detalhes da Soyuz.
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Um assento da nave Soyuz mostrado em proporção ao
módulo de reentrada. Apesar do pouco espaço destinado ao astronauta (que usa seu traje pressurizado Sokol) a posição não é tão desconfortável quanto parece. |
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Maquete da Soyuz, mostrando a porta de conexão ao módulo orbital (à esquerda da foto, no eixo longitudinal da nave), a porta do pára-quedas no topo e o controle de atitude (parte esquerda inferior da foto). |
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Foto que representa dois dos três astronautas
sentados no módulo de pouso. O pouco espaço é compartilhado com os pára-quedas, localizados nas bolsas entre as suas cabeças. |

Foguete lançador Soyuz. A nave está protegida pela cobertura branca.
Fontes:
Almanac of Soviet Manned Space Flight, Dennis Newkirk, Gulf Publishing Company, 1989
Astronáutica - do Sonho à Realidade: História da Conquista Espacial, Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, Bertrand Brasil, 1999
Countdown - A History of Space Flight, T. A. Heppenheimer, John Wiley & Sons, Inc., 1997
Handbook of Soviet Manned Space Flight, Nicholas L. Johnson, The American Astronautical Society, 1988
Red Star in Orbit - James Oberg, 1981
Russian Aerospace Guide - Uncovering Soviet Disasters, James Oberg, 1988
Mark Wade's ENCYCLOPEDIA ASTRONAUTICA
NASA Goddard Space Flight Center - National Space Science Data Center
Russian Space Agency
Russian Space Web
Sven´s Space Place
The Virtual Space Museum
História da Conquista Espacial © Karl H. Benz