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O Programa Zond teve 2 fases bem distintas: três missões interplanetárias (Vênus, Marte e Lua), e cinco missões lunares, precursoras de viagens tripuladas.
Após o fracasso das naves não tripuladas Zond 1 (passou a 100.000 Km de Vênus) e Zond 2 (passou a 1.600 Km de Marte), ambas em 1964, a Zond 3 [ foto ], com 900 quilos, lançada em 18 de julho de 1965, obteve sucesso ao dirigir-se à Lua. Dotada de um sistema de TV com processamento automático em vôo, enviou 25 fotos de excelente qualidade do lado oculto da Lua, a cerca de 10.000 km de altitude, cobrindo 19 milhões de quilômetros quadrados. Posteriormente, a Zond 3 dirigiu-se a uma órbita solar, fazendo experiências com transmissão de rádio a distâncias superiores a 150 milhões de quilômetros.
Em 2 de março de 1968 foi lançada a Zond 4B (após uma tentativa mal sucedida de lançamento da Zond 4A, em 22 de novembro de 1967), com cerca de 4.400 quilos, na realidade uma cápsula Soyuz 7K-L1. O vôo foi bem sucedido, numa órbita lunar extremamente alongada, com o apogeu de 400.000 km.
O objetivo oficial da missão era "testar os novos sistemas nas regiões distantes do espaço circunterrestre".
O único problema ocorrido durante a missão foi um erro no sistema de direção da nave, que fez com que a mesma se direcionasse para pousar no Golfo da Guiné. Foi então ordenada a auto-destruição da nave, fato que ocorreu a apenas 12 km de altura.
Esta atitude foi duramente criticada pelas autoridades soviéticas, pois a cápsula poderia ter sido recuperada sem maiores problemas.
Em 22 de abril ocorreu novo fracasso, com mais uma falha do lançador Proton; mas a cápsula Zond 5A foi recuperada.
Nova tentativa de lançamento foi realizada, com a Zond 5B, em 15 de setembro de 1968. A missão era voar à Lua e retornar à Terra de forma segura, numa óbvia antecipação de uma excursão tripulada ao nosso satélite natural. Tratava-se, na realidade, de uma nave Soyuz automática, modelo 7K-L1 (sem o módulo orbital). A Zond 5B foi a primeira nave espacial a circunavegar a Lua e retornar à Terra.
A nave, que chegou a uma distância mínima de 1.950 km da Lua, obteve excelentes fotografias. Carregava uma fauna compreendida por tartarugas, pulgas, vermes, plantas, bactérias, além de outras espécies de seres vivos. No dia 21 de setembro, a nave reentrou na atmosfera terrestre e pousou no Oceano Índico, tendo sido a primeira nave vinda da Lua recuperada com sucesso (apesar de novo problema no sistema de direção da nave) e a primeira nave soviética a pousar na água.
Não é demais lembrar que a reentrada de naves provenientes da Lua implica grandes dificuldades, tendo em vista que as mesmas vêm em grande velocidade e necessitam desacelerar bruscamente, o que gera valores muito elevados de aceleração e temperatura. A Zond 5 enfrentou valores de desaceleração de 20 Gs (gravidades).

Em 21 de julho de 1968 houve uma uma explosão num dos estágios do foguete de uma nave Zond 7K-L1, que matou 3 pessoas, sem no entanto causar danos à nave.
Novo lançamento da série Zond foi efetuado em 11 de outubro de 1968, com a Zond 6 (Soyuz modelo 7K-L1), que portava uma série de equipamentos científicos russos e franceses (detectores de raios cósmicos e de micrometeoritos e equipamento fotográfico) e uma carga de seres vivos semelhante à da Zond 5.
| A Zond 6 efetuou um vôo circunlunar bem sucedido, tendo chegado a uma distância mínima de 2.400 km da Lua no dia 14 de novembro. Obteve fotos espetaculares mostrando o limbo lunar com a Terra como fundo, antes da Apollo 8 (lançada em 21 de dezembro). | ![]() |
Obteve sucesso no mapeamento fotográfico da Lua, tendo elaborado um Atlas da face oculta da Lua, e retornou à Terra de forma segura, pousando no ponto predeterminado. A Zond 6 utilizou uma técnica de reentrada diferente, chamada de duplo salto (entrada na atmosfera sobre a Antártida, redução da velocidade de 11 km/segundo a uma velocidade suborbital, e então uma reentrada final sobre o território soviético), mais propícia para seres humanos, o que causaria uma desaceleração entre 4 e 7 Gs, ao invés dos insuportáveis 20 Gs.
No entanto, dois problemas sérios teriam liquidado uma eventual tripulação humana: a despressurização da cabine e a abertura prematura de um pára-quedas, que causou uma descida da nave a uma velocidade que teria sido fatal. A nave Zond estava quase pronta para um vôo circunlunar tripulado, mas ainda faltavam detalhes importantes.
Enquanto as naves Zond erravam e acertavam o caminho da Lua, as tripulações treinavam no simulador em terra.
Mais um fracasso ocorreu em 5 de janeiro de 1969, quando a Zond 7A explodiu poucos minutos após o lançamento.
A Zond 7B foi lançada em 8 de agosto de 1969, com a missão de estudar o espaço circunlunar, obter fotos coloridas da Terra e da Lua de diversas distâncias e testar sistemas de vôo. A Zond 7B reentrou na atmosfera terrestre, pousando suavemente no dia 14 de agosto, três semanas após o pouso tripulado da Apollo 11 na Lua.
Em 20 de outubro de 1970 foi lançada a Zond 8, que objetivava testar sistemas de bordo e obter fotografias coloridas da Terra e da Lua. A nave voltou e pousou suavemente no Oceano Índico.

Foto da Lua obtida pela Zond 8
O balanço final das naves Zond aponta, de certa forma, um fracasso, pois não levaram os soviéticos à Lua, mas tiveram um grande mérito - o aperfeiçoamento das naves Soyuz, que estão em operação desde 1967. Foram utilizados diversas configurações da nave, foguetes lançadores diferentes (A2e e Próton), realizados pousos com abordagens diferentes (diversas técnicas de reentrada, bem como pousos no oceano e em terra).
Havia um vôo circunlunar tripulado programado para 7 ou 8 de dezembro de 1968, antes portanto da missão Apollo 8 (25 de dezembro). Este vôo levaria Alexei Leonov e Pavel Belyayev, a mesma dupla da Voskhod 2. No entanto, os soviéticos não lançaram a Zond 9. Até hoje especula-se sobre os motivos de tal decisão, mas o mais provável é que tenha ocorrido uma falha grave na nave ou no foguete lançador que tenha impedido o lançamento.
História da Conquista Espacial © Karl H. Benz