A primeira tentativa de disparar uma nave americana a Vênus ocorreu em 22 de julho de 1962, com o lançamento fracassado da Mariner 1. O foguete Atlas se desviou do seu curso, em função de um erro nos computadores de orientação, e a nave teve que ser destruída.
Novo lançamento foi feito em 27 de agosto de 1962, com a Mariner 2 [ foto ], que sobreviveu a um início de viagem muito conturbado e acabou obtendo um êxito absoluto, com uma aproximação máxima de cerca de 34.500 km de Vênus, após 109 dias de jornada, entrando postreriormente em órbita solar. A Mariner 2, com um peso de 203 quilos, era uma réplica da Mariner 1.
O objetivo da Mariner 2 não era pousar em Vênus, mas apenas efetuar um vôo de aproximação, com a pesquisa de dados sobre a atmosfera do planeta, seu campo magnético, partículas carregadas e massa. A nave também fez medições diversas no espaço interplanetário durante a sua viagem.
A Mariner 2 era constituída por uma base hexagonal com 1 metro de largura, que continha alguns instrumentos científicos, equipamentos de comunicação, computador, controle de atitude, controle de potência, fontes de energia elétrica (bateria e carregador de bateria) e o motor (foguete). A altura total era de cerca de 3,6 metros e a largura de cerca de 5 metros, com os painéis solares abertos.
Havia ainda uma armação superior com diversos instrumentos científicos (magnetômetro, detector de partículas, detector de raios cósmicos, detector de poeira cósmica e espectrômetro de plasma solar) e uma antena parabólica, localizada na parte inferior, responsável pelas comunicações principais com o controle na Terra. A navegação da nave utilizava o Sol e a Terra como pontos de referência.
As descobertas científicas mais importantes da Mariner 2 são: a rotação fracamente retrógrada de Vênus, altas temperaturas e pressões na superfície do planeta, predominância de dióxido de carbono na atmosfera, camadas contínuas de núvens até 60 km de altura e a inexistência de campo magnético. A Mariner 2 também comprovou que o vento solar flui continuamente e que a densidade da poeira cósmica é muito menor do que nas proximidades da Terra.
A Mariner 2 ainda permitiu um cálculo mais preciso da massa de Vênus, através da computação do desvio na órbita do planeta causado pela aproximação da nave.
Em 5 de novembro de 1964 foi lançada a Mariner 3, com destino a Marte. A missão fracassou porque a nave de 260 quilos não conseguiu se posicionar corretamente, ficando impossibilitada de coletar a energia solar. Quando suas baterias se esgotaram, ela silenciou.
Nova tentativa em 28 de novembro de 1964, com o lançamento da Mariner 4, que era uma nave gêmea da Mariner 3, com a qual realizaria uma missão conjunta.
| A Mariner 4 foi o primeiro satélite artificial a alcançar Marte, tendo enviado um total de 22 fotografias da superfície do planeta vermelho, que mostravam um mundo repleto de crateras [ fotos ]. A atmosfera era menos espessa do que se imaginava. Muitos cientistas concluíram que Marte era um planeta biologica e geologicamente morto. | ![]() |
De projeto semelhante à Mariner 4, a Mariner 5 [ foto ], lançada em 14 de junho de 1967, alcançou o planeta Vênus no mês de outubro. Era uma nave de reserva das Mariner 3 e 4, e foi adaptada para o vôo a Vênus. Passou a 4.000 km do planeta, tendo medido o campo magnético venusiano e interplanetário, partículas carregadas e plasmas, bem como emissões ultravioleta da atmosfera venusiana.
Em 25 de fevereiro de 1969 foi lançada a Mariner 6 [ foto ], irmã gêmea da Mariner 7, lançada em 27 de março de 1969. As duas naves, com 412 quilos cada, dirigiram-se a Marte, de cuja superfície obtiveram um total de 201 fotografias. Após cumprirem a sua missão, entraram em órbita solar.
Em 8 de maio de 1971 ocorreu uma falha no segundo estágio do foguete lançador da Mariner 8 (peso de 1 tonelada), condenando a missão ao fracasso.
A Mariner 9, irmã gêmea da Mariner 8, foi lançada em 30 de maio de 1971.
Para aproveitar o máximo possível da missão com a nave sobrevivente, a Mariner 9 foi reprogramada. A superfície de Marte foi mapeada com a resolução originalmente planejada, mas as regiões polares foram mapeadas com uma resolução menor e a freqüência dos estudos atmosféricos foi diminuída. A Mariner 9 foi a primeira nave a entrar em órbita ao redor de Marte.
Nenhuma nave havia fornecido tantas informações relevantes sobre Marte até aquele momento, tais como a descoberta de vulcões imensos, grandes sistemas de cânions e evidências de ter havido fluxo de água no planeta.
Finalmente, concluindo a exitosa série Mariner, em 3 de novembro de 1973 foi lançada a Mariner 10, de 500 quilos, com destino a Mercúrio. A nave utilizou, pela primeira vez, o puxão gravitacional de um planeta (Vênus) para alcançar outro, no caso Mercúrio.
| A construção da nave, de 500 quilos, era semelhante
às suas antecessoras, mas ela só possuía dois painéis
solares (em razão da pequena distância de Mercúrio ao
Sol e da altíssima concentração de luz e calor nesta
região). Além de equipamentos científicos para medição das atmosferas, superfícies e características físicas de Vênus e Mercúrio, a nave possuía uma antena direcional para comunicações. |
Os experimentos realizados incluíram fotografias, medições de campo magnético, plasma, radiometria de infravermelho, espectroscopia ultravioleta e outros. A Mariner 10 passou a 4.200 km de Vênus (fevereiro de 1974), aproximou-se a 700 km de Mercúrio em março de 1974, dirigiu suas câmaras de TV para o cometa Kohoutec (novamente no caminho de Vênus), voltou a encontrar-se com Mercúrio em setembro de 1974 (distância de 47.000 km), e novamente passou por Mercúrio (março de 1975), a uma distância de 327 km. Pouco depois a missão foi terminada.
A Mariner 10 obteve excelentes fotos de Mercúrio, como as abaixo:
Também são consideradas como fazendo parte do Programa Mariner as naves Voyager (Voyager 1 e Voyager 2).
História da Conquista Espacial © Karl H. Benz