O Programa Mars iniciou com o lançamento mal sucedido de duas naves gêmeas, com cerca de 640 quilos cada, que carregavam um magnetômetro, um contador de raios cósmicos, um detetor de íons de plasma e um detetor de micrometeoritos. O foguete lançador era um Molniya, com um quarto estágio adicional.
Em 10 de outubro de 1960 foi lançado o satélite Marsnik 1 (ou Mars 1960 A). Após o lançamento, houve uma falha nas bombas de combustível do terceiro estágio, o que impediu que fosse alcançada a órbita terrestre. A altitude máxima alcançada foi de 120 km, antes da reentrada do satélite, com perda total.
A Marsnik 2 (Mars 1960 B), lançada em 14 de outubro de 1960, teve o mesmo destino, pelo mesmo motivo.
Em 24 de outubro de 1962 foi lançado o Sputnik 29, provavelmente idêntico à Mars 1. A nave explodiu em órbita, fragmentando-se em diversos pedaços. Isto ocorreu durante a Crise dos Míssies de Cuba e foi captado pelos radares norte-americanos, que temeram tratar-se de um ataque nuclear soviético.
Lançada em 1 de janeiro de 1962, a Mars 1 (Sputnik 30) [ foto ], com 890 quilos, foi a primeira estação interplanetária automática lançada na direção de Marte. Carregava instrumental científico, como um magnetômetro, e de comunicação, como uma antena de alto ganho, uma antena unidirecional, além de equipamento fotográfico. Foram realizadas 61 transmissões, que trouxeram uma quantidade muito grande de informações. Em 21 de março de 1963, quando a nave estava a 106 milhões de km da Terra, as comunicações cessaram, provavelmente devido a um mau funcionamento no sistema de orientação. A maior aproximação da Mars 1 em relação a Marte ocorreu em 19 de junho de 1963 (aproximadamente 193.000 km).
O Sputnik 31, lançado em 4 de novembro de 1962, foi uma tentativa de pousar uma nave (não tripulada) em Marte. O Sputnik entrou em órbita, mas não conseguiu seguir rumo ao planeta vermelho. A órbita foi decaindo, e ele caiu de volta à Terra após 2 meses.
O conjunto dos dois módulos tinha um peso total de 4.650 quilos, incluindo o combustível. A altura era de 4,1 metros, a largura de 5,9 metros (com os painéis solares abertos) e o diâmetro da base era de 2 metros. O módulo orbital pesava 3.440 quilos, e o módulo de pouso tinha 1.210 quilos. O sistema de propulsão estava situado na base da nave de forma cilíndrica e o módulo de pouso era montado no seu topo. Os dois painéis solares laterais e a antena parabólica de alto ganho, com diâmetro de 2,5 metros, responsável pelas comunicações, eram montados nas laterais do corpo principal. Os instrumentos e sistemas de navegação estavam localizados ao redor da base da nave, e a parte central do corpo principal era composta principalmente pelo tanque de combustível.
| Motor das Mars 2 e 3 | Tanque de combustível |
Três antenas para comunicação com o módulo de pouso estavam fixadas aos painéis solares. A maioria dos instrumentos científicos estava montada num compartimento hermeticamente selado. Havia, entre outros, um radiômetro infravermelho para determinar a temperatura da superfície de Marte, um fotômetro para conduzir experiências sobre concentrações de vapor dágua na atmosfera, um fotômetro infravermelho, um fotômetro ultravioleta para detectar átomos de hidrogênio, oxigênio e argônio, um fotômetro de luz visível, um instrumento para determinar a refletividade da superfície e da atmosfera e a refletividade das ondas de rádio, absorção de gás carbônico e duas câmaras com um conjunto amplo de lentes e filtros. O sistema de imagens retornava elementos de 1.000 x 1.000 pontos, processados em laboratório a bordo. Havia ainda 8 espectrômetros para determinação da velocidade, temperatura e composição do vento solar, bem como um magnetômetro triaxial para medir os campos magnéticos interplanetário e marciano.
| O módulo de pouso era montado no corpo da nave, no lado oposto ao motor. Era uma esfera de 1,2 metros de diâmetro, um freio aerodinâmico de 2,9 metros de diâmetro, um pára-quedas e retrofoguetes. O peso do módulo inteiro era de 1.210 quilos, sendo apenas 350 da cápsula propriamente dita. A cápsula de pouso contava com 4 pétalas triangulares que se abriam após o pouso, com o objetivo de estabilizar a nave e expor a sua instrumentação. A mesma técnica já havia sido usada com sucesso na Luna 9. | ![]() |
A cápsula de pouso estava equipada com duas câmaras com uma visão de 360 graus da superfície. Havia um espectrômetro de massa para estudar a composição da atmosfera; havia sensores de temperatura, pressão e vento, além de dispositivos para medição das propriedades químicas e mecânicas da superfície. Quatro antenas se projetavam na parte superior da cápsula para comunicação com o corpo principal da nave, em órbita. A cápsula de pouso ainda possuía um altímetro. A energia elétrica era fornecida por baterias que haviam sido carregadas ainda em órbita. A cápsula de pouso havia sido esterilizada antes do lançamento, para evitar uma possível contaminação do ambiente marciano.
A Mars 2 [ foto ] chegou a Marte em 27 de novembro de 1971, após meio ano de viagem. Quatro hotas após desacoplar-se do módulo orbital, o módulo de pouso apresentou um problema na seqüência de descida, e se espatifou contra a superfície do planeta. A causa provável parece ter sido uma tempestade de poeira extremamente forte no momento da tentativa de pouso.
A Mars 3 [ foto ] teve sorte um pouco melhor, pois chegou a pousar suavemente no dia 2 de dezembro de 1971. Transmitiu informações da superfície marciana [ fotos ] durante menos de 20 segundos e silenciou, provavelmente devido à mesma fortíssima tempestade de poeira.
As missões Mars 2 e 3 foram encerradas em 22 de agosto de 1972, após uma grande quantidade de informações ter sido transmitidas dos módulos orbitais das duas naves.
Foi descoberta uma falha sistemática nos chips dos computadores de controle das próximas missões, e a indústria soviética não tinha, naquele momento, condições de resolver o problema. Assim, criou-se um dilema: cancelar todos os lançamentos ou aceitar os riscos (altíssimos) de pane nas próximas missões. Optou-se pela continuidade do programa, e os parcos resultados alcançados demonstraram claramente a existência do problema com os chips.
Em 21 de julho de 1973 foi lançada a Mars 4, nova tentativa orbital soviética rumo a Marte. O peso total da nave era de 2.270 quilos, incluindo o combustível. O planeta vermelho foi alcançado em 10 de fevereiro de 1974. No entanto, devido a uma falha em um chip, os retrofoguetes não foram acionados, de modo que a Mars 4 passou a 2.200 km de Marte. Apesar dos problemas, alguns dados foram retornados.
Nova tentativa orbital ocorreu com a Mars 5, lançada em 25 de julho de 1973. A nave, com um peso total de 3.440 quilos, entrou na órbita de Marte em 12 de fevereiro de 1974, de onde operou apenas por uns poucos dias. Enviou dados da atmosfera e imagens de uma pequena porção da superfície marciana.
Lançada em 5 de agosto de 1973, a Mars 6 (peso total de 3.260 quilos) conseguiu pousar suavemente em Marte, no dia 12 de março de 1974. Conseguiu transmitir por 2 minutos e meio durante a descida (primeira transmissão da atmosfera de Marte). No entanto, problemas com o computador deixaram a transmissão incompreensível. Após o pouso o contato com a nave foi definitivamente perdido.
A nave Mars 7, lançada em 9 de agosto de 1973, consistia de um módulo orbital e de um módulo de pouso, com o peso total de 3.260 quilos. Devido a um problema em um dos sistemas de bordo (controle de atitude ou retrofoguetes) o módulo de pouso foi separado precocemente, e acabou errando o planeta por 1.300 km.
História da Conquista Espacial © Karl H. Benz