As origens da Era Espacial

Apesar do esforço de diversos cientistas teóricos (como Konstantin Tsiolkovsky e Hermann Oberth) e práticos (como Robert Goddard), o primeiro foguete operacional - a bomba voadora V-2 - foi uma arma de guerra, projetada e construída pelo cientista alemão Wernher von Braun durante a II Guerra Mundial. Com a queda do Império Nazista (1945), os cientistas alemães foram levados (ou seqüestrados) para os Estados Unidos - caso de von Braun - e União Soviética.

O III Reich, planejado por Hitler para durar 1.000 anos, estava morto; o Império Britânico, no qual o Sol nunca se punha, encolhia a olhos vistos, agonizante. Estava criada a oportunidade para o surgimento de novos impérios.

Assim, a aliança entre Estados Unidos e União Soviética perdeu qualquer sentido no momento da derrota nazista, e os dois postulantes a império hegemônico precisavam da tecnologia bélica alemã para alcançarem seus objetivos militaristas. Estava declarada a Guerra Fria. De um lado e de outro, dois impérios antagônicos se erguiam.

O crescimento econômico e científico dos Estados Unidos e da União Soviética, no pós-guerra, foi muito vigoroso. Através do Plano Marshall (1947), os Estados Unidos injetaram cerca de US$ 13 bilhões na Europa ainda arruinada pela guerra, para erguer uma barreira sólida contra o avanço comunista. Assim, os Estados Unidos consolidaram seu poder econômico e militar, montando bases militares na Europa e Ásia que "cercaram" fisicamente a União Soviética. A União Soviética anexou diversas repúblicas vizinhas (em muitos casos, pela força das armas). Em 1950 os Estados Unidos constituíram a NATO (OTAN - Organização do Tratado do Atlântico Norte) - pacto de defesa mútua entre os países capitalistas; os soviéticos constituíram o Pacto de Varsóvia, rival da OTAN, em 1955.

A ameaça do comunismo de espalhar o "paraíso na Terra" apregoado por Karl Marx levou os países do bloco ocidental (capitalista) a criarem o chamado "well-fare state" - tentativa bem sucedida de cooptação dos trabalhadores, que passaram a receber salários melhores e benefícios sociais relevantes como barganha para evitar a ocorrência de uma revolução proletária semelhante à Revolução Russa de 1917 em países ocidentais.

Como conseqüência destas políticas globais, o mundo entrou numa fase de crescimento tecnológico e econômico sem precedentes, tanto no bloco capitalista quanto no comunista. O estado de ânimo das pessoas em geral era de bastante otimismo. Cada cidadão ocidental estava convencido de que vivia no melhor dos mundos, e outra não era a convicção dos cidadãos soviéticos.

Neste clima de otimismo em meio a economias prósperas e com a Guerra Fria na cabeça das pessoas, teve início, em ambos os lados, a maior corrida armamentista da história da Humanidade. No campo espacial, as duas supe-potências iniciaram programas de projeto e construção de foguetes com dois fins:

Formalmente, a Era Espacial começou no dia 4 de outubro de 1957, quando os soviéticos surpreenderam o mundo e lançaram o Sputnik 1, um satélite não tripulado com alguns sensores, que orbitava a Terra a cada hora e meia e emitia um "bip-bip" que todos os radio-amadores (atividade muito popular na época) conseguiam captar facilmente.  

Era a contribuição soviética ao "Ano Geofísico Internacional" (julho de 1957 a dezembro de 1958) ... e à paranóia norte-americana.

A Guerra Fria no Espaço

Durante o período da Guerra Fria, a União Soviética de Stalin, Kruschev, Brejhnev & cia. jamais prezou a liberdade de imprensa; Stalin, um homem colérico, sofria de paranóia. Para um paranóico enfurecido, a liberdade de imprensa é inaceitável.

O início da era espacial ocorreu durante o governo de Nikita Kruschev (1953 a 1964). Nenhuma notícia podia ser publicada sobre foguetes, satélites e naves espaciais - apenas a versão oficial do governo soviético, por intermédio da Agência de Notícias estatal TASS. Mascaravam-se alguns fatos (como o real desenho da nave Vostok), ocultavam-se outros (como a morte do astronauta Valentin Bondarenko, em um incêndio durante treinamento no simulador da nave Vostok, no dia 23 de março de 1961 - apenas 3 semanas antes do vôo histórico de Yuri Gagarin).

O primeiro autor ocidental que conseguiu desvendar a história das conquistas e tragédias espaciais da "Cortina de Ferro" (nome pejorativo dado à União Soviética pelos americanos) foi James E. Oberg, em seu importantíssimo livro "Red Star in Orbit", de 1981. Oberg dedica seu livro a Sergei Korolev, o projetista-chefe que levou a URSS ao espaço.

Por seu lado, os Estados Unidos divulgavam com pompa e circunstância (às vezes exageradamente) os seus feitos espaciais.

Apenas após a queda do Muro de Berlin (1989) e da própria União Soviética (1991) é que começou a ser desvendada a história dos projetos, das conquistas e das tragédias espaciais dos soviéticos.

Este Site

Assim, reunindo as informações disponíveis em diversas fontes (livros, revistas e internet), este site apresenta um resumo daquilo que foi possível coletar. É claro que muita informação sobre os projetos - especialmente os militares - continua inacessível. Mas o site continua em construção, e permanecerá assim por muito tempo ainda.

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História da Conquista Espacial © Karl H. Benz